É interessante observar como funciona a cobertura esportiva no Brasil, não vou me restringir apenas aos estado de Pernambuco. Bastaram dois jogos ruins do Santa Cruz para a palavra "crise" entrar na moda entre os repórteres que escrevem sobre o Mais Querido. Dênis Marques, um dos melhores jogadores do Santa, inquestionável titular, e protagonista do título de Bi-Campeão Pernambucano, já marcou cinco gols nesta Série C. Bastaram duas partidas sem gols e a palavra "seca" apareceu na mídia. Inclusive questionamentos sobre o mérito de matador também foram mencionadas.
Agora parando para pensar, o Tricolor está a apenas dois pontos da zona de classificação à Série B. Dênis Marques é o artilheiro do Santa Cruz e vice-artilheiro da Série C. Existe necessidade para redigir tais matérias? Por questões éticas eu não cito nomes de empresas em questão, mas uma delas chegou a questionar a força do Santa dentro de casa, como se o Arruda, onde estamos invictos há muito tempo, não fizesse diferença. É no mínimo curioso ver tais tendências.
A verdade é que os jornalistas são como pessoas normais, aqueles trabalhadores carregados com metas a cumprir diariamente. O problema é que a notícia não é uma coisa fácil de enxergar, a não ser que seja algo grande. O profissional de imprensa tem de estar apresentando matérias todos os dias, mesmo que nada relevante tenha acontecido no dia em questão. Em outras áreas é algo mais difícil, mas no âmbito esportivo é algo recorrente, principalmente quando se cobre um clube que só joga uma vez por semana.
E disso tudo vem o questionamento; Não seria melhor passar um dia em branco, sem mandar notícias, do que, buscar o fato onde simplesmente não existe? Em uma semana de Clássico dos Clássicos, nada mais justo que focar o confronto entre nossos rivais. Ao menos evitaria matérias do tipo: Ainda tem faro de gol?, Para Afastar a Crise, entre outros "furos de reportagem".



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